Lusitania Weddings

Casar em Portugal quando um de vocês não é português

Angolana com português. Moçambicana com brasileiro. Portuguesa com angolano, a viver em Londres. Recebemos esta pergunta quase todas as semanas, e é sempre a mesma: por onde é que isto começa? Aqui está a resposta, por passos, sem rodeios.

1. Tudo começa no processo preliminar

Antes de haver casamento, há um processo. Chama-se processo preliminar de casamento e faz-se numa conservatória do registo civil — ou pela internet, sem lá ir.

Serve para uma coisa só: a conservatória verifica se existe algum impedimento a que aquelas duas pessoas casem uma com a outra. Se não existir, autoriza o casamento.

O prazo que ninguém vos diz. Depois de a conservatória autorizar, o casamento tem de ser feito nos seis meses seguintes. Passados esses seis meses, o processo caduca e tem de ser repetido. É por isso que a ordem correcta é: primeiro decidir a data, depois abrir o processo — e não ao contrário.

2. O que a parte estrangeira tem de apresentar

Se um de vocês não é português, são estes os documentos que tipicamente acrescem:

A conservatória pode ainda pedir outros documentos que se revelem indispensáveis para analisar o processo. Não é arbitrariedade — cada caso tem a sua história.

3. Legalizar: apostila ou consulado?

É aqui que a maior parte dos casais perde semanas, e a resposta depende do país que emitiu o documento. Há dois caminhos, e só um serve para cada país.

Onde a apostila se aplica, basta um selo único aposto pela autoridade competente desse país — rápido e barato. Onde não se aplica, é preciso legalização consular, um circuito mais longo que passa pelo ministério dos negócios estrangeiros do país e depois pelo consulado português.

País do documento Caminho
Angola Legalização consular — MIREX e depois o Consulado de Portugal. Não aceita apostila.
Moçambique Legalização consular. Não aceita apostila.
Brasil Apostila. Basta o selo, feito em cartório no Brasil.
Cabo Verde Apostila.
Verificado à mão, não copiado. Fomos à tabela oficial de estados da Convenção da Apostila, publicada pela Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, em 14 de setembro de 2026. Angola e Moçambique não constam. Cabo Verde é parte desde 13 de fevereiro de 2010 e o Brasil desde 14 de agosto de 2016.

Se o documento vier de outro país, perguntem-nos antes de mexer um papel — verificamos na mesma tabela para o vosso caso. Um documento legalizado pela via errada é tempo perdido e dinheiro gasto duas vezes.

4. Quanto custa

O processo de casamento e o respectivo registo custam 120 €, valor que abrange o processo preliminar antes do casamento e o registo feito quando casam. Isto é o custo do Estado — não inclui tradução, legalização, nem o casamento em si.

5. Onde é que nós entramos — e onde não entramos

O que fazemos: tratamos desta parte convosco quando organizamos o vosso casamento. Sabemos que documentos pedir, por que ordem, e quanto tempo cada passo demora — e tratamos disso enquanto vocês tratam do resto da vossa vida. Depois há o casamento propriamente dito: local, fornecedores, e a coordenação do dia.

O que não fazemos: não damos aconselhamento jurídico nem de imigração. Casamento e residência são coisas diferentes. Se a vossa pergunta é sobre vistos, autorizações de residência ou nacionalidade, precisam de um advogado — e dizemo-vos isso em vez de vos vender um serviço que não resolve o problema.

Digam-nos o vosso caso

As nacionalidades de cada um, onde querem casar e mais ou menos quando.
Respondemos com o que precisam, por que ordem — e se não formos nós a pessoa certa, dizemos isso também.

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