Casar em Portugal quando um de vocês não é português
Angolana com português. Moçambicana com brasileiro. Portuguesa com angolano, a viver em Londres. Recebemos esta pergunta quase todas as semanas, e é sempre a mesma: por onde é que isto começa? Aqui está a resposta, por passos, sem rodeios.
1. Tudo começa no processo preliminar
Antes de haver casamento, há um processo. Chama-se processo preliminar de casamento e faz-se numa conservatória do registo civil — ou pela internet, sem lá ir.
Serve para uma coisa só: a conservatória verifica se existe algum impedimento a que aquelas duas pessoas casem uma com a outra. Se não existir, autoriza o casamento.
2. O que a parte estrangeira tem de apresentar
Se um de vocês não é português, são estes os documentos que tipicamente acrescem:
- Certidão de nascimento do cônjuge estrangeiro — legalizada e traduzida para português se estiver noutra língua.
- Certificado de capacidade matrimonial, se o país de nacionalidade dessa pessoa emitir um documento desse tipo. Nem todos emitem.
- Cartão de cidadão ou documento de identificação de ambos.
- Se tiverem feito convenção antenupcial em notário, uma cópia certificada dessa escritura.
A conservatória pode ainda pedir outros documentos que se revelem indispensáveis para analisar o processo. Não é arbitrariedade — cada caso tem a sua história.
3. Legalizar: apostila ou consulado?
É aqui que a maior parte dos casais perde semanas, e a resposta depende do país que emitiu o documento. Há dois caminhos, e só um serve para cada país.
Onde a apostila se aplica, basta um selo único aposto pela autoridade competente desse país — rápido e barato. Onde não se aplica, é preciso legalização consular, um circuito mais longo que passa pelo ministério dos negócios estrangeiros do país e depois pelo consulado português.
| País do documento | Caminho |
|---|---|
| Angola | Legalização consular — MIREX e depois o Consulado de Portugal. Não aceita apostila. |
| Moçambique | Legalização consular. Não aceita apostila. |
| Brasil | Apostila. Basta o selo, feito em cartório no Brasil. |
| Cabo Verde | Apostila. |
Se o documento vier de outro país, perguntem-nos antes de mexer um papel — verificamos na mesma tabela para o vosso caso. Um documento legalizado pela via errada é tempo perdido e dinheiro gasto duas vezes.
4. Quanto custa
O processo de casamento e o respectivo registo custam 120 €, valor que abrange o processo preliminar antes do casamento e o registo feito quando casam. Isto é o custo do Estado — não inclui tradução, legalização, nem o casamento em si.
5. Onde é que nós entramos — e onde não entramos
O que fazemos: tratamos desta parte convosco quando organizamos o vosso casamento. Sabemos que documentos pedir, por que ordem, e quanto tempo cada passo demora — e tratamos disso enquanto vocês tratam do resto da vossa vida. Depois há o casamento propriamente dito: local, fornecedores, e a coordenação do dia.
O que não fazemos: não damos aconselhamento jurídico nem de imigração. Casamento e residência são coisas diferentes. Se a vossa pergunta é sobre vistos, autorizações de residência ou nacionalidade, precisam de um advogado — e dizemo-vos isso em vez de vos vender um serviço que não resolve o problema.
Digam-nos o vosso caso
As nacionalidades de cada um, onde querem casar e mais ou menos quando.
Respondemos com o que precisam, por que ordem — e se não formos nós a pessoa certa, dizemos isso também.